terça-feira, 10 de maio de 2011

Trago em Mim as Tuas Marcas

Procurei em meu corpo aquelas marcas mas não encontrei, onde foi parar aquilo que me distingue, me torna especial, as marcas desse amor imensurável, que me faz único?


"Certa vez estava uma mulher sentada em um banco numa praça onde ela havia levado o filho para brincar um pouco. Observando o filho a brincar, ela reparou em um outro menino que estava ao lado dele, o menino devia ter cerca de sete ou oito anos de idade e brincava animadamente, ela reparou no entanto que ele tinha uma marca em um dos braços. Intrigada, levantou-se do banco onde estava e foi se aproximando do menino. A medida que ela chegava mais perto a marca ia se tornando exatamente o que ela imaginara, como marca de unhas que haviam arranhado a pele do braço do menino. Era como se o menino tivesse sido atacado por algum animal com garras.
- Oi, você está aqui sozinho? - Ela perguntou ao menino.
- Eu moro ali. - Disse o menino apontando para uma casa proxima.
- O que é isso?- Ela perguntou, apontando para o arranhão.
O menino, que antes estava animado, mudou de fisionomia e se retraiu triste. Ela pegou delicadamente no braço do menino e repetiu a pergunta com carinho:
- É um arranhão. - Ele respondeu tímido.
- Mas quem fez isso com você? - Ela quis saber, já prevendo a reposta.
- Foi o meu pai.
Antes que o menino pudesse falar mais alguma coisa ela se levantou indiguinada, olhou em volta, como se procurasse algum sinal dos pais daquele menino, mas não viu ninguém. Então a mulher tomou uma resolução, pegou na mão do garoto, foi até onde o seu filho estava e o pegou também. Então ela se encaminhou até um policial que passava pela praça.
- Com licença, seu policial, eu quero fazer uma denúncia de maus tratos.
- Pois não - Respondeu o policial solícito.
- Veja o braço desse garoto. - ela disse levantando a mão do menino para que o policial pudesse ver os arranhões.
- O que é isso! - exclamou o policial espantado.
- Ele disse que foi o pai quem fez isso. - Ela retrucou.
- É verdade isso, filho? - se dirigiu o policial ao menino que, muito acuado com a situação, apenas balançou a cabeça afirmativamente.
- A senhora conhece o pai dele? - perguntou o policial para a mulher
- Não, mas ele disse que mora naquela casa ali. - E a mulher aponto para a casa do garoto.
O policial então tomou a mão do menino e, acompanhado pela mulher e seu filho, se dirigiu a casa dele. Antes que ele pudesse tocar a campainha, uma mulher os encontrou na entrada da casa:
- O que houve? - Quis saber, espantada com a cena.
- Esse menino é seu filho? - Inqueriu o policial.
- Não, eu sou a babá dele.
O policial perguntou pela família do garoto e a babá disse que os pais trabalhavam e ainda demorariam a chegar. Ele então mostrou os arronhões para a babá e perguntou se ela sabia alguma coisa:
- Ele disse que foi o pai quem fez isso. - Explicou o policial - É verdade?
- Eu não acredito, o pai ama esse menino, é a vida dele, ele nunca iria machucá-lo assim. - Disse a moça ainda mais espantada olhando para o menino que estava de cabeça baixa.
- A senhora se surpreenderia com o número de pais que juram que amam seus filhos e são pegos por maus tratos. - Informou a outra mulher.
- Mais não, não é possível, - interveio a babá - eu vejo o carinho do pai dele. Ele não pode de forma nenhuma ter feito isso.
O menino então levantou os olhos tristes para a babá e fez um sinal afirmativo com a cabeça.
- Foi o seu pai que fez isso com você? - Ela perguntou carinhosamente para o menino.
- Foi. - Ele respondeu
- Está vendo, ouviu? - Provocou a outra mulher.
- Mas como isso aconteceu? - Quis saber a babá sem dar ouvidos a provocação.
O menino olhou para o policial meio assustado.
- Pode falar, não tenha medo. - Tranquilizou o homem.
O menino então comecou a contar a história.
- Ontem de manhã estava um lindo dia de sol e meu pai me levou para passear, ele ia me ensinar a andar de bicicleta. Eu estava muito contente e ansioso, então sai correndo na frente dele. De repente eu escutei ele gritando, me chamando, eu olhei e ele vinha correndo atras de mim. Quando eu olhei pra frente de novo só vi um precipício. É que teve uma chuva no dia anterior e o asfauto tinha desmoronado. Eu não consegui parar e cai no precipício, foi ai que o meu pai saltou no chão e conseguiu segurar no meu braço. Ele ficou deitado, debruçado sobre o precipício comigo pendurado, tentando me puxar de volta. - Nesse momento o menino começou a chorar. - Eu estava com tanto medo de morrer mas o meu pai disse que não ia me soltar. Ele aguarrou meu braço com tanta força que as unhas dele me fizeram esses arranhões. Então ele conseguiu me puxar de volta e me abraçou. Eu nunca vi o meu pai tão apavorado. Mas ele disse pra mim hoje de manhã que esses arronhões iam simbolizar o medo que ele teve de me perde e o amor dele por mim..."

Muitas vezes, as pessoas não nos conhecem e vêm em nós marcas, lesões, e acham que são sinais de maus tratos, não sabem que muitas dessas marcas são das vezes que nós caimos em precipícios e Deus nos segurou firme nas garras da sua graça e do seu amor, com medo de nos perder.

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