Quando a gente é pequeno e está passeando com os pais pela rua ouve muito essa pequena admoestação:
- Não aponta o dedo, menino, não sabe que é feio!
A maioria de nós no entanto cresce e acaba esquecendo disso.
Uma vez quando eu tinha uns sete anos de idade, a minha professora havia faltado na escola e como os alunos não podiam ser dispensados, foram distribuidos por outras salas. Eu acabei sendo o único da minha turma que ficou na sala de uma das professoras mais severas da escola.
Fazia apenas uma meia hora que a aula havia começado, estavamos fazendo algumas lições de matemática e eu notei que um aluno a algumas carteiras na minha frente copiava as respostas do garoto que estava ao seu lado. Aquilo me incomodou: como era possível que ele estivesse descaradamente copiando as respostas, sem o menor pudor, praticamente na cara da professora. Cada vez que ele se debruçava sobre a carteira visinha e copiava uma resposta eu ficava mais indignado, até que não resisti e fui até a mesa da professora para contar o que estava acontecendo. Ela tinha que saber e tomar uma providência, aquilo não era certo, dentro da sala de aula!
- Professora - comecei meio acanhado, e apontei o dedo para o aluno, - aquele menino está copiando as respostas do caderno daquele outro que está do lado dele. - Terminei de falar a frase, orgulhoso da minha coragem, de fazer o certo.
Porém, logo que olhei de volta para a professora eu percebi que não devia nem ter me levantado do meu lugar. Ela estava com a cara fechada, como se diz por aí, e um leve sorriso de desdem por mim.
Foi o pior sermão que eu já levei na minha vida, ela me fez ficar ali em pé na frente da sala inteira pelo que pareceu ser uma hora, mas que não deve ter sido nem dez minutos, enquanto falava em alto e bom som para que todos pudessem ouvir (as professoras tem muita facilidade em progetar a voz) que odiava fofoca, que eu devia ter vergonha, que ainda bem que eu não era seu aluno regular, que ia conversar com a minha professora, enfim eu realmente me arrependi de verdade.
Naquela época eu achei aquilo uma tremenda injustiça, aqueles garotos é que estavam errados e eu quem fui punido.
Hoje porém vejo de outra forma, me envergonho ainda pelo ocorrido, mas agradeço aquela professora que só me deu aula um único dia em toda a minha vida academica mas que me deixou uma lição que muitos outros que estiveram vários anos comigo não conseguiram.
Eu não devia mesmo ter denunciado aquele garoto, eu não fazia parte daquele grupo, não sabia nada sobre o andamento daquela turma, nem os nomes dos garotos eu sabia e já fui me intrometendo, querendo mostrar que eu era o melhor, o justo, o que denuncia as irregularidades. Me dei mal, como diz o ditado: "fui buscar lã e saí tosqueado."
Aprendi, no entanto, a parar de reparar na vidas dos outros e cuidar mais da minha própria.
Tem muita gente por aí que precisava encotrar com uma professora dessas de vez em quando.
As pessoas andam tão ocupadas em perceber as falhas dos outros que nenhum detalhe passa desapercebido, e aí dão graças a Deus quando encontram alguém com que possam fofocar ou expressar sua "tão santa" opinião. Tem gente que tem uma opinião pra tudo, especialmente se for sobre a vida de um irmão. "AH! Porque fulano errou, blá, blá, blá, porque se fosse eu não faria assim...porque fulano é isso e beltrano é aquilo."
Tem crente que parece que anda com um caderninho, comparando as pessoas e anotando os erros dos irmãos, se acha o promotor de justiça de Deus. Acha que vai chegar no dia do juizo e dizer: "Ah! Senhor, porque ele fez isso e isso e isso."
A salvação é individual, não são os erros do seu irmão ou o fato de você apontá-los que vão fazer menores os seu próprios erros, não existe pecadinho nem pecadão, apenas pecado. E falar mal do irmão, julgá-lo ou mesmo expressar sua "opinião" de maneira maldosa, tendenciosa ou com malicia é pecado.
Vamos parar de viver apontando o dedo uns para os erros dos outros e vamos nos ajudar no que realmente importa que é o crescimento da igreja, e quando eu digo da igreja quero dizer todo o corpo de Cristo, não apenas uma denominação ou outra. Um lar dividido não prospera por isso temos de estar unidos em um único propósito, se alguém cometeu uma falta, aconselhe, ajude, faça a diferença, ore por ele.
Uma vez vieram me perguntar o que achava sobre a prisão nos EUA do casal Hernandes.
- Eu não acho nada, eu não estou envolvido no caso, - respondi - nem é a mim que eles devem satisfações. Só sei que eu amo os louvores do Renascer Praise.
É isso, a gente deve examinar todas as coisas e reter as boas, aquilo que não é bom ou que a gente não conhece direito a gente não deve comentar, apontar, julgar, certamente podemos cometer uma injustiça pois só a Deus pertence o juizo e a justiça, só Ele é oniciente.
E, para finalizar, não devemos nos esquecer que quando nós apontamos um dedo para alguém os outros três apontam para a gente.
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